30 de março de 2011

VII Convenção do Bloco de Esquerda

Foram ontem divulgadas as 4 moções em debate na VII convenção do Bloco de Esquerda que se realiza a 7 e 8 de Maio.
Ao contrário de edições anteriores, desta vez decidi não subscrever qualquer moção. Não querendo fazer qualquer tipo de analogia, recordo algo que ouvi há alguns anos atrás: "os porcos não sabem que são porcos porque estão sempre metidos no meio do chiqueiro" Por vezes torna-se necessário algum distanciamento, mesmo que pequeno, para podermos avaliar melhor o nosso percurso pessoal e colectivo.
Esta minha posição não significa qualquer divergência de fundo mas apenas que uma análise cuidada e livre das diferentes moções só será possível sem as limitações que uma subscrição naturalmente implica. A minha militância activa e empenhada não poderá nunca condicionar a minha liberdade de tomar ou não partido por esta ou aquela opção.
Apesar disso, manifesto aqui o meu agrado pelo empenho e pluralidade interna do BE representados no facto de existirem 4 moções a esta Convenção. Isto prova que o BE está devidamente consolidado, maduro e que continua a primar pelo respeito pelas diversas opiniões e correntes internas e que deverá implementar ainda mais esse factor com vista a um crescimento que corresponda às expectativas de cada vez mais portugueses e que venha, a prazo, a poder representar uma verdadeira alternativa de governação.



23 de março de 2011

Maré Alta de 23/03/2011


A menor das crises

Estamos a viver, por estes dias, um cenário de grande incerteza, de uma eminente crise política e de eleições legislativas antecipadas. Por mais que alguns o afirmem, uma crise política nesta altura não é, certamente, o pior dos nossos males. Pior que a crise política, é a crise económica e principalmente a crise social em que Portugal está mergulhado.

É evidente o desgaste, a incapacidade e o descrédito do actual Governo e é também evidente que o PSD está sedento de poder. Mas o pior que pode acontecer ao país é que uma crise política resulte numa simples mudança de intervenientes que continuem a implementar o mesmo tipo de receita em que se somam os sacrifícios exigidos ao povo.

Se o povo voltar a ter nas mãos o poder directo de mudança, que essa mudança seja efectiva e que se mude o tipo de política e não apenas as personagens.

É tempo de mudar as opções políticas. É tempo de termos governantes sem ligações aos grandes interesses económicos e financeiros, que tenham a coragem de aplicar uma justiça fiscal que equilibre as contas públicas sem atirar para a miséria uma considerável franja da população que vive já em grandes dificuldades.

Portugal precisa de quem tenha a visão de que as pessoas são sempre mais importantes que os mercados financeiros internacionais, que seja capaz de colocar o país em situação de não ter de andar sempre de chapéu na mão a hipotecar a nossa soberania junto dos grandes interesses europeus.

O povo não pode desperdiçar esta oportunidade de mudar o rumo do país, não estamos condenados a uma alternância de interesses entre os dois maiores partidos. Esse centrão já provou que não serve os interesses e as necessidades da grande maioria dos portugueses. O PS e o PSD com e sem o CDS, são os únicos responsáveis pelo atraso estrutural do país, são os únicos responsáveis por Portugal ser um país completamente dependente do exterior em todos os sectores. Mas o povo é também responsável por termos tido este tipo de políticas, uns por terem feito as suas escolhas e outros por não terem votado e permitido que outros tivessem escolhido por sí.

Não é uma utopia, mas antes uma necessidade, que o país seja governado sem o PS e PSD. Está nas mãos de todos nós acreditar nessa mudança necessária e termos a iniciativa de assumir todas as nossas responsabilidades pessoais e colectivas para ultrapassarmos esta complicada situação e conduzirmos o país a um futuro melhor para todos e não apenas para alguns.

Crónica publicada no Jornal Opinião Pública de 23/03/2011




13 de março de 2011

1000

Este é o post número 1000 (mil) deste blog.
Foi a 10 de Outubro de 2006 que comecei a publicar regularmente aqui neste meu blog que me leva ao mundo.
É certo que de há um ano a esta parte, o Facebook tem vindo a retirar conteúdos a este blog, mas este continua a ser o meu espaço mais importante na Internet. Aqui estão publicados todos os meus textos escritos na rubrica Maré Alta no jornal Opinião Pública, notas pessoais, pensamentos, posições políticas, imagens, etc.
 

11 de março de 2011

Recentes no Facebook

As crises favorecem sempre os mais ricos à custa da miséria dos mais pobres.
Mas terá que ser sempre assim??????
www.dn.pt
Apesar da crise, em 2010, o 'rei' da cortiça ficou 800 milhões de euros mais rico, enquanto o patrão da Jerónimo Martins viu os seus bens reforçados em 635 milhões, o que lhe deu entrada directa no pódio dos mais ricos em Portugal. Belmiro não ganhou nem perdeu.
 
Pois, pois..... Vem agora tentar atirar para os outros a responsabilidade dos seus próprios erros.
Da próxima vez que discursar, que ponha legendas para não haver "interpretações abusivas"...
 

2 de março de 2011

Maré Alta 02/03/2011

As gravatas não decidem

Conversava há alguns dias atrás com alguns amigos sobre a moção de censura que o Bloco de Esquerda vai apresentar e diziam-me que o BE não tem condições de vir a ser Governo em Portugal. Perguntei porquê, mas nenhuma razão plausível me foi apresentada que pudesse sustentar essa ideia.

Na falta de argumentos válidos, alguém disse que no Bloco não é hábito usar-se gravata. Mas será esse o factor mais importante para o exercício de funções governativas? Não me parece. 

Uma gravata poderá apenas proporcionar um ambiente mais formal e, eventualmente, dar maior confiança a quem a usa. No entanto, as gravatas não decidem, não fazem com que os seus portadores sejam mais ou menos competentes, tenham esta ou aquela visão sobre os destinos de um país ou de um município. No mundo dos negócios, como na política há muitos exemplos de que uma forma mais informal de vestir não é impedimento para um bom e efectivo desempenho de organizações e pessoas, muito pelo contrário.

O Bloco de Esquerda é formado por um amplo leque de pessoas das mais variadas origens académicas, profissionais e sociais. Há no Bloco, homens e mulheres, jovens e mais velhos, por todo o país, com formação superior, doutoramentos e mestrados, nas mais variadas áreas de conhecimento e dispostos a dar o seu melhor para construir um país melhor para todos. Mas no Bloco também há homens e mulheres com outros diferentes graus de formação, mas com uma experiencia profissional e de vida capazes de trazer às decisões políticas uma proximidade muito maior da realidade da vida da grande maioria dos portugueses.

Um município ou o país não tem forçosamente que ser governado por uns fulanos muito bem vestidos e que se perfilam politicamente em função de interesses muitas vezes criticáveis, mas cujo desempenho tem levado ao ponto a que agora chegamos. 

É urgente deixar de lado determinados preconceitos sem sentido e pensar que a responsabilidade do nosso destino colectivo também é nossa e que as nossas decisões também são importantes. Não basta dizer mal dos políticos em geral e continuar a considerar apenas velhos padrões cujos resultados todos conhecemos.
Esta é a hora de mudar de mentalidade e ser mais exigente com quem tem a incumbência de governar, mas é também tempo de pensarmos que podemos, nós próprios, colocar os nossos conhecimentos e a nossa disponibilidade ao serviço de todos. Se tantos de nós o fazemos no associativismo, na solidariedade, na religião, na arte e em tantas outras actividades, façamo-lo também na política, de uma forma autêntica e sobrepondo elevando sempre os interesses colectivos a quaisquer outros. Aí, certamente, teremos uma sociedade muito melhor, quando o valor das propostas e das ideias for mais importante que a aparência.

Nestes tempos de maiores dificuldades, deixemos de lado preconceitos e estereótipos retrógrados e tomemos os nossos destinos nas próprias mãos, sem medos e com toda a responsabilidade.

Crónica publicada no jornal Opinião Pública de 02/03/2011

30 de janeiro de 2011

Donos do voto

Por altura das eleições autárquicas, numa entrevista no Cidade Hoje rádio/jornal, tive a ocasião de dizer que o único voto com que eu contava para essas eleições era o meu. Vem isto a propósito de várias pessoas terem vindo a dizer que Manuel Alegre perdeu votos em relação a 2006 e que o apoio do PS e do BE subtraíram votos em vez de os aumentar.
Para mim, Manuel Alegre não era dono do voto de ninguém, nem ele nem qualquer outro candidato. Todos os votos têm que ser conquistados e é um erro de muitos políticos pensarem que há votos garantidos à partida e desprezam o contacto directo com as pessoas, como se as televisões fossem suficientes para convencer as pessoas a votar.
Ir para a rua, como eu e outros fomos, falar com as pessoas olhos nos olhos, ouvir o que lhes vai na alma mesmo que não nos seja agradável de ouvir, é a maneira mais genuína de fazer política.
De Show Off estão as pessoas fartas.





26 de janeiro de 2011

Maré Alta 26/01/2011

Novas perspectivas para o futuro

O deputado Carlos Sousa tem vindo, nos últimos tempos, a defender publicamente a ideia de uma solução de governação de uma esquerda alargada de médio prazo para o Município de V. N. de Famalicão, que pudesse integrar o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda.

Em teoria, confesso que não me repugna a ideia de alguma forma de entendimento entre o PS e o BE e entendo que será benéfico para Famalicão se houver outras opções fortes de governação capazes de dar uma nova esperança aos famalicenses e que seja capaz de colocar Famalicão num patamar de desenvolvimento compatível com a importância do nosso concelho.

Para que isso pudesse acontecer, seria necessário reunir alguns factores importantes como: 1º - Que os dois partidos preparassem atempadamente os respectivos programas de médio prazo de forma abrangente, de abertura a toda a sociedade e que esses programas pudessem ser a génese de um projecto global aglutinador e mobilizador. 2º - Que, em ambos os partidos, fossem conhecidas, em tempo útil, as pessoas que pudessem vir a ser timoneiras desse desenvolvimento e cuja competência, idoneidade e compromisso sejam amplamente reconhecidos pel@s famalicenses. 3º - Os superiores interesses do Município teriam que estar acima de qualquer outro interesse partidário ou pessoal e que sobre isso não restasse a menor dúvida a quem quer que fosse. 4º - Esse entendimento partidário teria que estar assente num compromisso sério e num intransigente respeito institucional.

No passado, a experiencia de entendimento entre PS e BE na Câmara de Lisboa e a recente campanha eleitoral de Manuel Alegre para as presidenciais em V. N. de Famalicão, vieram demonstrar que é muito remota, para não dizer impossível, a hipótese de algum entendimento entre o PS e o BE, pelo menos enquanto os actuais dirigentes de ambos os partidos estiverem em funções. O BE não quer o poder pelo poder, nem o poder a qualquer preço. E nunca defenderemos um poder à moda do CDS/PP, nem aceitaremos qualquer tipo de submissão aos interesses de qualquer outro partido em nome de qualquer poder.

Como sempre disse, considerando os superiores interesses do nosso concelho e tendo em vista uma democracia mais participativa e plural, não sou apologista de maiorias absolutas, mas sim de um equilíbrio de poderes que, de uma forma responsável, seja capaz de colher diferentes visões sobre todos os aspectos do desenvolvimento e que seja capaz de gerar consensos suficientemente alargados, tanto das forças políticas, como de todas as instituições. De uma forma geral, toda a sociedade deve desempenhar o seu papel na escolha das melhores opções para o futuro colectivo e não ser apenas uma imposição de uma única pessoa ou mesmo de um único partido. A evolução da sociedade é demasiado dinâmica para ficarmos indefinidamente presos a conceitos demasiados centralizadores.

Nesse capítulo, todos nós, individual e colectivamente, temos ainda um longo caminho a percorrer.

Texto publicado no Jornal Opinião Pública em 26/01/2011

"O mal dos seres humanos, é que preferem ser arruinados pelos elogios, a ser salvo pelas críticas."