30 de janeiro de 2011

Donos do voto

Por altura das eleições autárquicas, numa entrevista no Cidade Hoje rádio/jornal, tive a ocasião de dizer que o único voto com que eu contava para essas eleições era o meu. Vem isto a propósito de várias pessoas terem vindo a dizer que Manuel Alegre perdeu votos em relação a 2006 e que o apoio do PS e do BE subtraíram votos em vez de os aumentar.
Para mim, Manuel Alegre não era dono do voto de ninguém, nem ele nem qualquer outro candidato. Todos os votos têm que ser conquistados e é um erro de muitos políticos pensarem que há votos garantidos à partida e desprezam o contacto directo com as pessoas, como se as televisões fossem suficientes para convencer as pessoas a votar.
Ir para a rua, como eu e outros fomos, falar com as pessoas olhos nos olhos, ouvir o que lhes vai na alma mesmo que não nos seja agradável de ouvir, é a maneira mais genuína de fazer política.
De Show Off estão as pessoas fartas.





26 de janeiro de 2011

Maré Alta 26/01/2011

Novas perspectivas para o futuro

O deputado Carlos Sousa tem vindo, nos últimos tempos, a defender publicamente a ideia de uma solução de governação de uma esquerda alargada de médio prazo para o Município de V. N. de Famalicão, que pudesse integrar o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda.

Em teoria, confesso que não me repugna a ideia de alguma forma de entendimento entre o PS e o BE e entendo que será benéfico para Famalicão se houver outras opções fortes de governação capazes de dar uma nova esperança aos famalicenses e que seja capaz de colocar Famalicão num patamar de desenvolvimento compatível com a importância do nosso concelho.

Para que isso pudesse acontecer, seria necessário reunir alguns factores importantes como: 1º - Que os dois partidos preparassem atempadamente os respectivos programas de médio prazo de forma abrangente, de abertura a toda a sociedade e que esses programas pudessem ser a génese de um projecto global aglutinador e mobilizador. 2º - Que, em ambos os partidos, fossem conhecidas, em tempo útil, as pessoas que pudessem vir a ser timoneiras desse desenvolvimento e cuja competência, idoneidade e compromisso sejam amplamente reconhecidos pel@s famalicenses. 3º - Os superiores interesses do Município teriam que estar acima de qualquer outro interesse partidário ou pessoal e que sobre isso não restasse a menor dúvida a quem quer que fosse. 4º - Esse entendimento partidário teria que estar assente num compromisso sério e num intransigente respeito institucional.

No passado, a experiencia de entendimento entre PS e BE na Câmara de Lisboa e a recente campanha eleitoral de Manuel Alegre para as presidenciais em V. N. de Famalicão, vieram demonstrar que é muito remota, para não dizer impossível, a hipótese de algum entendimento entre o PS e o BE, pelo menos enquanto os actuais dirigentes de ambos os partidos estiverem em funções. O BE não quer o poder pelo poder, nem o poder a qualquer preço. E nunca defenderemos um poder à moda do CDS/PP, nem aceitaremos qualquer tipo de submissão aos interesses de qualquer outro partido em nome de qualquer poder.

Como sempre disse, considerando os superiores interesses do nosso concelho e tendo em vista uma democracia mais participativa e plural, não sou apologista de maiorias absolutas, mas sim de um equilíbrio de poderes que, de uma forma responsável, seja capaz de colher diferentes visões sobre todos os aspectos do desenvolvimento e que seja capaz de gerar consensos suficientemente alargados, tanto das forças políticas, como de todas as instituições. De uma forma geral, toda a sociedade deve desempenhar o seu papel na escolha das melhores opções para o futuro colectivo e não ser apenas uma imposição de uma única pessoa ou mesmo de um único partido. A evolução da sociedade é demasiado dinâmica para ficarmos indefinidamente presos a conceitos demasiados centralizadores.

Nesse capítulo, todos nós, individual e colectivamente, temos ainda um longo caminho a percorrer.

Texto publicado no Jornal Opinião Pública em 26/01/2011

18 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011


No dia de campanha que Manuel Alegre dedicou ao distrito de Braga, vivi momentos bastante antagónicos. 
Por um lado, a forma calorosa com que a cidade de Braga recebeu o candidato faz acreditar que está ao nosso alcance a possibilidade de uma segunda volta. O contacto directo com o poeta/candidato confirmou-me que fiz a escolha certa na hora em que me decidi apoiar a sua candidatura e que este é o homem que melhor pode lutar e defender os valores que eu defendo e acredito.

Por outro lado, fiquei muito triste com a maneira como decorreu a passagem do candidato por Vila Nova de Famalicão. Apesar das adversas condições climatéricas, foi muito significativa a quantidade de pessoas que esperaram Alegre. Mas a iniciativa simbólica da homenagem a Bernardino Machado (e também a visita à Associação de Moradores das Lameiras que estava prevista e que acabou por não se realizar) merecia outra atenção por parte de toda a organização da campanha. Várias pessoas manifestaram-me a sua tristeza por não terem tido a possibilidade de o cumprimentar e por ter sido demasiado rápida a sua passagem por cá.
O povo, que tantas vezes é invocado nesta campanha, precisa de contactar de uma forma mais próxima com os candidatos e com os políticos, precisa de olhar nos seus olhos e poder questionar, desabafar, sugerir. Quando falo de povo, não me refiro apenas ao povo que é militante dos partidos e que naturalmente está mais próximo das campanhas, refiro-me ao povo anónimo a quem é preciso chegar e que merece essa oportunidade de falar de perto e pessoalmente com quem se propõe assumir tão altas responsabilidades.

O candidato deve ir ao encontro do povo e não o contrário.

17 de janeiro de 2011

Para pensar 75

"Este fim-de-semana tivemos uma novidade, que foi Cavaco Silva pedir que se cortem os salários de todos os trabalhadores, no público e no privado. Esta ideia de curar a economia através do corte dos salários, da austeridade que destrói a vida das pessoas, é a essência desta campanha eleitoral da direita"
Francisco Louçã, no i

3 de janeiro de 2011

O nosso dinheiro, Orçamento Municipal 2011 - 1

Com a quadra festiva e o pouquíssimo destaque que a imprensa local deu ao assunto, quase ninguém se apercebeu que foi discutido e aprovado, nos passados dias 20 e 21 de Dezembro, o Orçamento Municipal de Vila Nova de Famalicão para o ano que agora começa.
O Bloco de Esquerda votou contra o documento e pessoalmente entendo que é o pior orçamento dos últimos anos. São muitas as razões que me levaram a votar contra e que merecem uma especial atenção por parte de todos os(as) famalicenses de todos os partidos. Para além das diferentes visões sobre as opções de desenvolvimento e de aplicação dos dinheiros públicos num tempo de especial crise como o que agora vivemos, este documento revela situações deveras preocupantes: em rubricas de despesas como Outros, Outros bens, Outros Serviços e Outros Serviços Especializados soma-se, no total, um valor que ronda os 8 Milhões de euros, sendo que, numa única rubrica, está inscrito um valor superior a 4 milhões e 200 mil euros. Como não nos é possível saber com rigor o destino destas verbas, questionamos directamente e por mais que uma vez o senhor presidente da Câmara Municipal, mas ficamos sem resposta.
As despesas com o Parque da Devesa, inicialmente orçadas em cerca de 12 Milhões de euros, surgem no plano Pluri-anual (até 2013) com um valor superior a 19 milhões. Nenhuma justificação nos foi dada para esta derrapagem.

Se juntarmos a isto, o facto de haver, em relação a 2010, um aumento de 25% nas despesas em publicidade, 73,3% em software, 21% em estudos, pareceres, projectos e consultadoria; é razão para todos ficarmos muito preocupados.

"O mal dos seres humanos, é que preferem ser arruinados pelos elogios, a ser salvo pelas críticas."